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OUT
08

Dormir bem é uma questão de saúde

Você dorme bem? O ronco é o companheiro das suas noites? Se sim, cuidado, isso pode ser um sinal de apnéia do sono.

A apnéia obstrutiva do sono é uma alteração respiratória que acontece enquanto o indivíduo dorme e é caracterizada por paradas breves e repetidas da respiração – por pelo menos dez segundos e com freqüência de cinco vezes por hora de sono. Um dos principais sintomas deste distúrbio é o ronco, que muito mais do que incomodar o parceiro pode ser indício de um grave problema.

Além de prejudicar a qualidade do sono, que influencia a qualidade de vida, a apnéia do sono pode causar hipertensão arterial, doenças vasculares, depressão, entre outras patologias. Segundo a Sociedade Brasileira de Sono, 25% da população brasileira, na faixa dos 40 aos 60 anos, sofre deste mal.

O estreitamento da via área, que causa diminuição da entrada de ar, é um dos fatores que levam ao ronco e à apnéia. Este estreitamento pode ocorrer por inúmeros fatores, dentre eles alterações do esqueleto facial, como a posição da mandíbula e da maxila e também a deficiência na oclusão dental. Nestes casos, a solução é a cirurgia ortognática, que corrige estes problemas melhorando a mordida, a função da articulação mandibular, a estética e a respiração, aumentando assim a entrada do ar, o que em muitos casos resolve o ronco e a apnéia do sono.

“A indicação de cirurgia ortognática para pacientes portadores de apnéia obstrutiva do sono é feita quando as alterações do esqueleto facial provocam sério comprometimento da entrada do ar. Os pacientes podem apresentar alterações de diferentes proporções, sendo que a mais comum é a do micrognatismo mandibular (figura 1), onde a falta de desenvolvimento da mandíbula gera uma via aérea muito estreita”, destaca o Dr. Octavio Cintra, especialista em cirurgia ortognática.

Um teste muito simples pode ser feito em casa para checar se há indícios de estreitamento da via aérea. O Teste de Mallampati (figura 2) é utilizado por anestesistas para verificar a facilidade ou não de intubação. Em frente ao espelho abra a boca, colocando a língua para fora, o objetivo é ver a úvula (sininho) entre as amígdalas. Não conseguir visualizá-la é sinal de problema. Quanto maior a obstrução, maior será a possibilidade de desenvolvimento da apnéia do sono.

Muito além das manifestações noturnas, a apnéia do sono leva a alterações na qualidade de vida e da capacidade profissional, resultantes do sono não-reparador, onde se pode citar entre outras: sonolência excessiva, cefaléia matutina, alteração do humor, dificuldade de concentração, alteração da memória, diminuição da libido e fadiga.

Dr. Octavio Cintra coloca que “o diagnóstico de apnéia do sono deve ser feito o quanto antes, pois não podemos achar que é normal roncar e ter momentos de falta de ar durante a noite. É imprescindível iniciar logo o tratamento, seja ele qual for, pois saúde e qualidade de vida começam com uma noite bem dormida”.

Micrognatismo mandibular

Teste de Mallampati


* Utilização das imagens autorizada pela editora.

Créditos obrigatórios para utilização das imagens: BITTENCOURT, LRA (org.). Diagnóstico e Tratamento da Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS) – Guia Prático. 1. Ed. São Paulo: LMP Editora, 2007, 29-31pp.

Dr. Octavio Cintra
É cirurgião-dentista formado pela Unicamp, com residência em Cirurgia Bucomaxilofacial pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. É especialista e membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial e pós-graduado pela University of Texas – Southwestern Medical Center at Dallas, Parkland Memorial Hospital, Dallas, Texas. Cirurgião visitante do “Center of Corrective Jaw Surgery”, Santa Barbara, Califórnia e membro da Arnett Multidisciplinary Foundation. Atualmente ele é diretor do Centro Well Clinic Ortognática, em São Paulo (SP).
 

Cirurgia ortognática, bucomaxilofacial e implantodontia
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